Captulo 4
A TEORIA PSICANALTICA

Enquanto que a maior parte das teorias cientficas do comportamento se originam da psicologia
acadmica, a teoria psicanaltica surgiu no do laboratrio de universidade, mas da clnica mdica. 
Sigmund Freud (1856-1939) formou-se em medicina no sculo XIX, em Viena. Comeou a carreira 
em neurologia, mas, depois de experimentar com hipnose no tratamento de pacientes, gradualmente 
passou a se interessar por mecanismos psicolgicos. Freud desenvolveu pouco a pouco a tcnica 
conhecida como psicanlise e a teoria do comportamento ou da personalidade conhecida como 
teoria psicanaltica, O contedo ou os dados em que se fundamenta a teoria so as expresses 
verbais de idias e sentimentos e as autodescries feitas pelos pacientes de psicanlise. Alm disso, 
a psicanlise baseia-se em material de psicanlise de pessoas normais, geralmente (mas no apenas) 
aprendizes de psicanlise. Observaes de crianas, principalmente em situaes de brincadeira 
livre, tambm fornecem dados. Mais recentemente, pesquisas empricas realizadas tanto por adeptos 
da psicanlise como por seus oponentes tm testado hipteses derivadas da teoria psicanaltica. 
Devido s suas origens na medicina,  caracterstico o uso da patologia, pressupondo que os 
indivduos normais possuem, em grau menor, os problemas, conflitos e mecanismos vistos mais 
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claramente em casos anormais. Outra conseqncia de suas origens no modelo mdico  a 
preocupao com pensamentos e sentimentos, ao invs do comportamento. 
CONCEiTOS BSICOS 
Instinto:  definido como uma representao psicolgica de uma fonte somtica, interna de 
excitao. Freud discute as propriedades do instinto no artigo intitulado Instintos e suas 
vicissitudes (1915, 1955).  importante notar que Freud distingue entre os conceitos de Instinkt 
(instinto, no sentido de instinto animal, mais restrito, limitado, levando a uma possibilidade nica de 
resposta que o satisfaa) e Triebe (no sentido mais amplo, prprio do homem, permitindo maior 
flexibilidade de respostas). Em ingls, os termos instinct e drive tm sido usados 
respectivamente para traduzir lnstinkt e Triebe. Em portugus, instinto tem sido usado 
indiscriminadamente para um ou outro conceito, embora autores modernos estejam usando pulso, 
impulso, ou motivao, por Triebe, ou mesmo mantendo o ingls drive. 
Freud discute quatro propriedades dos instintos: a fonte ou origem, o objeto interno (intrnseco), o 
objeto externo e o mpeto. A fonte ou origem  definida como uma excitao somtica. O objeto 
interno  a reduo de excitao; o objeto externo  a coisa ou ato que reduz a excitao; e o mpeto 
 a fora da puiso. A propriedade fundamental do instinto  a fonte ou origem. O modelo de Freud 
pressupe que uma excitao surge em uma parte do corpo e a funo do comportamento  reduzir 
a excitao, e esta reduo da excitao  experimentada como uma gratificao. Enquanto que a 
fonte e o objeto interno no variam, o objetivo externo pode tomar vrias formas. Vejamos um 
exemplo: fome  considerada uma pulso. Sua origem ou fonte  uma excitao somtica no 
estmago e o objeto interno do instinto de fome  a reduo da fome. O objeto externo  o ato de 
comer ou a comida. O objeto pode tomar vrias formas (diversos tipos de comida), mas no caso da 
fome h menos flexibilidade quanto ao objeto externo do que no caso do instinto sexual, que pode 
ser reduzido mediante vrios comportamentos em relao a vrios objetos. 
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Lbido: Embora no seja possvel chegar-se a um acordo a respeito de quais so os instintos do ser 
humano, no h 
dvida que Freud deu grande importncia ao instinto sexual, tanto que deu  excitao sexual ou 
energia sexual um nome especial, libido. Assim, o medo que uma criana tenha de perigos fsicos 
(cair, machucar-se, etc.)  interpretado como o medo inconsciente de castrao, ou seja, de que seu 
pnis seja decepado. Contudo, Freud usa o termo sexualidade num sentido muito mais amplo do 
que comumente se entende. A funo biolgica da sexuajidade  a reproduo, mas mais 
freqentemente, tanto na espcie humana como em animais, a motivao para o ato sexual  outra, 
o prazer do prprio ato, e no a reproduo da espcie. Alm disso, na espcie humana, a procriao 
envolve no s concepo, como um perodo de gravidez para a mulher, com aspectos psicolgIcos 
especiais, e envolve tambm um perodo de muitos anos em que a criana  criada pelos pais. 
Assim, vemos que muito mais do que o ato sexual  necessrio para a procriao da espcie e Freud 
usa o termo sexualidade para englobar todos esses aspectos. Embora o instinto sexual seja o mais 
importante para a organizao da personalidade, Freud reconheceu a existncia de outros instintos 
ou pulses, como a fome, a sede e o evitar a dor. Freud agrupou esses instintos sob a rtulo de 
instintos do ego que servem a autopreservao em contraste com o sexual, que serve  preservao 
da espcie. 
Agresso: Freud tratou tambm da importncia da agresso, vista por ele inicialmente como 
relacionada  sexualidade. A agresso  tambm vista como importante na autopreservao, atravs 
de competio e auto-afirmao. Posterior- mente, impressionado pela agresso manifestada na 
humanidade, Freud chegou  formulao do instinto de morte. Como a agresso freqenternen leva 
 autodestruio seria incompatvel com a noo de autopreservao. Freud ento contrastou o 
instinto de morte (Thanatos) com os instintos de vida (Eros) incluindo nesta segunda categoria o 
instinto sexual e os de autopreservao (instintos do ego). 
Cathexis:  definida por Freud como se fosse uma carga eltrica que energiza uma idia. A pulso 
no tem expresso direta no comportamento, como  o caso de reflexos e instintos em animais, em 
que h uma ao especfica resultante do instinto. A conexo entre a pulso e o comportamento que 
a re 105 
T 
duz  aprendida depois que o sujeito nasce. O mecanismo interveniente entre a pulso e o 
comportamento  a cathexis. A pulso catecta uma idia que  sentida ento como um impulso 
para realizar o comportamento que reduz a pulso. Por exemplo, a me um objeto catectado para a 
criana, ou seja,  valorizado, porque pode reduzir vrias pulses. 
O inconsciente: A nfase de Freud nos processos inconscientes  considerada nos meios cientficos 
como uma das 
mais importantes de suas contribuies. Numa poca em que o estudo da conscincia estava 
sendo atacado de diversas formas, como por exemplo pela crtica ao mtodo introspeccionista, 
Freud atacou a psicologia da conscincia mostrando a importncia do inconsciente na 
determinao de todos os comportamentos, O inconsciente para Freud no  simplesmente qualquer 
coisa de que no estamos conscientes, mas  aquilo que  ativamente reprimido e impedido de se 
tornar consciente ou pr-consciente. O consciente compreende tudo aquilo de que nos damos conta 
em dado momento, e o pr-consciente se refere a fatos que se podem tornar conscientes se a ateno 
for dirigida a eles. Por exemplo, sentado numa sala de aula, devo ter visto a cor das paredes; mas, se 
perguntado, posso responder, pois  um fato pr-consciente, enquanto que, em se tratando de 
fenmenos inconscientes, eles no so lembrados, no porque a ateno no esteja focalizada sobre 
eles, mas porque a represso impede que sejam trazidos  tona. 
ESTRUTURAS DE PERSONALIDADE 
A primeira estimativa  o id. O id  o repositrio das pulses.  inato; no princpio era o id e 
somente ele. O id se caracteriza pelo processo primrio, isto ,  algico, infantil, arcaico, 
atemporal, impulsivo, incapaz de tolerar demora de satisfao. A teoria psicanaltica tambm 
descreve o id como governado pelo princpio do prazer, isto , deseja a satisfao imediata das 
pulses. As alucinaes so exemplos do funcionamento do processo primrio. Diante da ausncia 
do objeto que reduziria a pulso, o indivduo alucina. Na ausncia do leite, o beb fantasia, ou 
alucina sua presena. O beb recm-nascido  influenciado no pela realidade mas pelo que ele 
quer. O que acontece nos sonhos como ausncia de tempo, condensao de duas pessoas em uma 
s, exemplifica o processo primrio. 
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Ego: a segunda estrutura que se desenvolve na personalidade da criana  o ego. O ego  orientado 
para a realidade 
e busca a satisfao das necessidades atravs de meios aceitveis. O ego controla os instintos 
adiando, inibindo e restringindo-os no interesse de conseguir seus fins realisticamente. As funes 
do ego consistem em: 
1) Tolerncia  frustrao; 
2) Controlar o acesso de idias  conscincia; 
3) Guiar o comportamento do indivduo para objetivos aceitveis; 
4) Pensamento lgico. 
O ego funciona de acordo com o princpio da realidade (em oposio ao princpio do prazer) e  
base de processos secundrios (em oposio aos primrios). Enquanto que o id  totalmente 
inconsciente, o ego  parte consciente, parte inconsciente. 
Superego: Vemos que o id e o ego tm por objetivo a satisfao dos instintos, com a diferena de 
que o id busca 
a satisfao irrestritamente e o ego a busca dentro dos limites da realidade. J a terceira estrutura da 
personalidade, o superego, tem objetivos diferentes. Ele representa as restries culturais sobre a 
expresso dos instintos, que foram incorporadas e aceitas pelo indivduo.  importante, porm, 
notar que o superego no  necessariamente uma representao exata das normas culturais. Como 
veremos posteriormente, ele  formado na infncia,  base de proibies referentes  sexualidade, 
atravs de resoluo do complexo de dipo. 
DINMICA DA PERSONALIDADE 
O modelo freudiano  um modelo de conflito. Ou h conflito entre o id contra o ego, ou entre o id e 
o ego contra o superego, ou entre o id e as exigncias ambientais. O conflito gera ansiedade e o 
organismo precisa reduzir essa tenso. Para tal, o ego utiliza os chamsdos mecanismos de defesa, 
que so inconscientes. 
Represso: O mecanismo de defesa bsico  a represso. Consiste em o inconsciente tirar-se da 
conscincia idias, 
lembranas, sentimentos que, se estivessem  tona, causariam 
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muita ansiedade. A ansiedade  mais provvel de ocorrer quando no houve uma descarga motora 
(por exemplo, choro) na poca do trauma original cuja lembrana  agora reprimida. 
Negao:  um mecanismo bem primitivo, que consiste em explicitamente negar que um fato 
ocorreu. Por exemplo, 
numa dramatizao escolar, uma menina esqueceu um trecho de sua parte, omitindo-o. As outras 
crianas seguiram sua pista, e assim um trecho total da pea foi omitido. Mais tarde a menina negou 
que isto tivesse ocorrido, embora todas as colegas o af irmassem. Aparentemente, admitir seu erro 
causaria muita ansiedade e foi mais tolervel cair no ridculo das colegas e professora negando o 
fato do que admitir o erro. Note-se que a negao no  uma mentira consciente, mas no caso da 
negao o indivduo est plenamente convencido da veracidade de sua verso do caso. 
Formao reativa: Consiste na expresso de sentimentos diametralmente opostos ao que est sendo 
reprimido. Caracteriza-se pelo extremismo e exagero das demonstraes. Por exemplo, uma pessoa 
que no fundo odeia outra pode manifestar expresses de extrema delicadeza e protestos veementes 
de amizade, que pelo seu exagero soam falso. 
Projeo: Baseia-se no fato de que  mais fcil tolerar afeto negativo nos outros do que no prprio 
eu.  o caso de 
uma pessoa que, odiando a outra e lhe sendo inaceitvel ser portadora de tal agressividade, imagina 
que a odiada e perseguida  ela mesma e no a que realmente . Este comportamento  chamado de 
paranide. 
Racionalizao: Consiste em inventarem-se explicaes para justificar as aes.  uma explicao 
que no  exata 
nem muito convincente, mas da qual o sujeito est convencido. 
Fixao: Significa permanecer num estgio primitivo de desenvolvimento. 
Regresso: Consiste em voltar a um estgio primitivo de desenvolvimento. Exemplo: uma criana 
de 8 anos voltar 
a urinar na cama, pedir mamadeira. 
Deslocamento: Consiste em deslocar o sentimento ou a ao para outro objeto que no o original. 
Por exemplo: se 
o pai  o objeto original que causou frustrao, o indivduo pode 
reprimir isso e manifestar agressividade (porque causaria ansiedade) em relao a outros objetos: o 
tio, o professor, etc., deslocando assim a agressividade. 
Sublimao: Canalizar um impulso instintivo para uma finalidade construtiva e socialmente aceita. 
O comumente dado  o de canalizao de agresso para uma atividade como cirurgia. 
O DESENVOLVIMENTO DA PERSONALIDADE 
Este aspecto da teoria psicanaltica  o que mais interessa ao campo da Psicologia do 
Desenvolvimento. A teoria freudiana  uma teoria do tipo que enfatiza uma seqncia de estgios 
no desenvolvimento. Freud fala basicamente em dois processos maturacionais: o desenvolvimento 
psicossexual, em que a fonte de gratificao libidinal muda da boca para o nus e para os rgos 
genitais,  a maturao do ego, no qual o ego se diferencia da personalidade global do recm-
nascido, havendo um aumento no princpio da realidade e de processos secundrios, a apario de 
mecanismos de defesa e duma compreenso maior nas relaes interpessoais. O desenvolvimento 
do ego representa a maturao cognitiva, enquanto que o desenvolvimento psicossexual representa 
a maturao afetiva. Embora o papel da maturao no desenvolvimento psicossexual seja enfatizado 
na teoria freudiana, tambm  aceito que circunstncias especficas do ambiente influem sobre o 
curso deste desenvolvimento. 
Segundo Freud, o desenvolvimento da personalidade  subsidirio ao desenvolvimento do instinto 
sexual, e  paralel  passagem pelos estgios de desenvolvimento sexual. 
1) Estgio oral: Nos primeiros tempos de vida, a libido concentra-se na zona oral: boca e zonas 
imediatamente circunjacentes. A reduo da tenso oriunda da fome  reduzida atravs da 
amamentao e provoca sensao de prazer, de natureza sexual.  um perodo que Freud chamou de 
narcisismo primrio, isto , no h ainda relaes com objetos externos, mas tudo consiste na 
reduo de uma necessidade do organismo. Assim, a primeira maneira de conhecer o mundo  a 
incorporao. O primeiro subestgio  chamado oral passivo, em que a criana simplesmente recebe 
o que lhe  
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dado, incorpora. Uma fixao extrema nesse subestgio leva a uma atitude extrema de dependncia 
na vida adulta. O segundo subestgio  chamado de oral ativo ou agressivo. Nesta poca, que 
coincide com o incio da dentio, morder torna-se a maneira de relacionar-se com o mundo e 
representa o incio de sentimentos de agressividade, dio, rivalidade, sadismo. 
Durante a fase oral predominam os processos primrios e na ausncia do objeto necessrio para 
reduo de tenso, a criana usa a alucinao como meio de satisfao; por exemplo, se tem fome e 
no  alimentada imediatamente, alucina ou fantasia que o leite est presente. Evidentemente a 
satisfao obtida atravs da fantasia no pode durar muito tempo, e neste contacto com a realidade 
frustradora comeam a se desenvolver os processos secundrios (do ego), tais corno tolerncia para 
com a demora da gratificao (satisfao) das necessidades. 
2) Estgio anal: Neste. estgio, que coincide com a poca do treinamento de hbitos higinicos, a 
libido  focalizada na zona do nus. A criana experimenta satisfao em expulsar as fezes ou em 
ret-las. O perodo  dividido em dois subestgios: anal expulsivo e anal retentivo. Fixao na fase 
expulsiva leva  agressividade anal, enquanto que fixao na fase retentiva leva a traos de 
personalidade tais como obsessividade com limpeza e arrumao, e po-durice. 
3) Estgio flico: Neste ponto a libido se focaliza nos rgos genitais.  um estgio importante, 
porque  o perodo em que Freud situa o conflito edipiano. A criana ama o genitor de sexo oposto, 
sente que isto  proibido e conseqentemente experimenta sentimentos de ameaa, manifestados no 
menino por ansiedade de castrao, isto , medo de que seu pnis venha a ser decepado. A 
menina, por sua vez, experimenta a inveja do pnis. Para resolver o conflito, aliviar a ansiedade, 
a criana identifica-se com o genitor do mesmo sexo, introjetando ou incorporando assim as suas 
caractersticas, incluindo o papel masculino ou feminino e os valores morais da sociedade. O 
equivalente feminino do complexo de dipo  chamado complexo de Electra. A no-resoluo 
adequada do conflito edipiano  considerada como a causa da maior parte das neuroses. 
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4) Estgio de latncia: Tendo-se resolvido o conflito edipiano e estabelecida a identificao com o 
genitor do mesmo sexo, sobrevm uma fase de calmaria para o instinto sexual. Nesta poca, que 
coincide com a entrada da criana para a escola e os primeiros anos escolares, o ego est livre ento 
para se concentrar em atividades intelectuais. 
5) Adolescncia. Estgio genital: Nesta poca, em que h modificaes hormonais que provocam a 
maturidade sexual, h um reviver do instinto sexual e dos conflitos anteriores. A libido focaliza-se 
ento no mais no prprio corpo (como nas fases oral e anal) nem em objetos incestuosos (fase 
flica), mas em objetos heterossexuais e no-incestuosos. Atinge ento o indivduo a maturidade 
genital, no caso do desenvolvimento normal. A fixao em qualquer dos estgios anteriores leva a 
comportamentos ou traos de personalidade considerados anormais. 
A NEOPSICANLISE PSICOLOGIA DO EGO 
Um grupo de tericos neopsicanalistas americanos, da corrente chamada Psicologia do ego, tem 
se destacado por proporem a autonomia funcional do ego (Anna Freud, 1965; White, 1960; 
Hartmann, 1958; Kris, 1951; Rappaport, 1951; U5- wenstein, 1953; Spitz, 1959). Dedicam-se eles  
investigao de como a estrutura do ego se origina e desenvolve, e como as formas racionais 
adaptativas de funcionamento do ego se desenvolvem. Estes autores aceitam a conceitualizao 
de Freud sobre as estruturas de personalidade do id, ego e superego, porm no aceitam que o ego 
tenha sido jamais parte do id; afirmam eles que tanto o ego como o id so estruturas de 
personalidade presentes, ambas desde o nascimento e que gradualmente se diferenciam. O ego  um 
rgo especializado de adaptao e que faz a mediao entre os instintos do id e as exigncias da 
realidade. As funes racionais do ego desenvolvem-se a partir dos processos livres de conflito do 
ego, presentes desde o incio. Estas funes intelectuais no poderiam ser resultantes de conflitos 
entre o id e o ego na criana, elas no poderiam ser alteraes de processos irracionais do id. 
Consideram eles logicamente absurdo supor-se como fez Freud que os processos racionais da 
criana so transformaes de seus processos irracionais. Conseqentemente a origem dos 
proces111 
sos racionais do ego devem ser funes intelectuais inatas ativadas por energia instintiva livre de 
conflitos. Os processos internos da inteligncia da criana servem para organizar, ao invs de 
subtrair as outras funes. 
Os psiclogos do ego afirmam que h trs estgios principais na relao da criana com o ambiente, 
que so extremamente importantes para o desenvolvimento da diferenciao entre o id e o ego e 
para o desenvolvimento do ego, ou seja, das funes racionais. 
O primeiro estgio, nos primeiros meses de vida, consiste no desenvolvimento da capacidade de 
distinguir-se do mundo, de distinguir o eu do no-eu. Trs condies so necessrias para isto: a) a 
maturao fisiolgica normal dos rgos perceptivos; b) a transformao ou neutralizao da 
energia instintiva pr-operacional focalizada no eu (cathexis narcisstica primria) em energia 
racional para focalizar outras coisas (cathexis objetal) e c) privao parcial. Esta ltima indica o 
seguinte: se uma criana tivesse necessidades sempre total e imediatamente satisfeitas, ela ficaria 
fixada no estgio indiferenciado. Alguma privao  necessria para induzir mudana. 
O segundo estgio consiste no desenvolvimento de meios de comunicao entre a criana e sua 
me, por exemplo, nas expresses faciais como o sorriso. A privao de contato social, 
especialmente de comunicao, pode impedir ou atrasar o desenvolvimento pessoal e intelectual. As 
provas para isto so fornecidas pelos estudos de Spitz (1949). Entre outras indicaes de 
desenvolvimento anormal, Spitz cita o fato de crianas institucionalizadas manifestarem depresso 
anacltica, ficarem deitadas apaticamente nos beros, chorando e no respondendo a tentativas dos 
adultos que tentam atrair sua ateno, so retardadas em desenvolvimento motor, perceptivo e 
intelectual, e em casos extremos morrem. Os estudos de Spitz so bastante controversais, 
acreditando-se hoje em dia que estes resultados no podem ser generalizados para toda a criana 
institucionalizada, pois o quadro descrito por Spitz parece corresponder apenas a algumas 
instituies ou orfanatos extremamente carentes. 
O terceiro consiste na obteno do controle, de funes voluntrias, especialmente a locomoo e a 
manipulao. Uma vez que o ego  autnomo, ele dispe de energia psquica independente, da a 
noo de autonomia funcional do ego que caracteriza a escola de Psicologia do ego. 
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Um esquema completo do desenvolvimento do ego  apresentado por Loevinger (1966), que 
descreve o processo em uma seqncia de 7 estgios que no so ligados a idades especficas. 
Embora Loevinger no seja participante do grupo inicial a que chamamos Psicologia do ego, sua 
concepo apresenta concordncia fundamental com aquela escola. Os estgios so os seguintes: 
1) Pr-social e simbitico: O desenvolvimento do ego inicialmente  centralizado na diferenciao 
do eu do no-eu. Este estgio  composto de dois subestgios. Durante o 1, o subestgio pr-
social, o beb no diferencia entre partes animadas e inanimadas do ambiente. Durante o segundo, o 
subestgio simbitico, a criana se torna fortemente ligada  me e no pode diferenciar-se 
nitidamente dela, embora seja capaz de diferenci-la do resto do ambiente. 
2) Impulsivo: A criana comea a exercer sua prpria vontade confirmando assim sua existncia 
separada da me. No entanto, ela no tem controle voluntrio sobre seus impulsos e no conhece a 
vergonha. Embora a criana no se d conta, ela  explorada e dependente dos outros, que so 
percebidos como fontes de suprimento. Ela no compreende regras de conduta e acredita que 
uma ao  m porque  castigada. Uma das principais fontes de preocupao consciente  com 
impulsos agressivos e sexuais. 
3) Oportunista: As regras aqui so compreendidas, mas seguidas apenas para obter uma vantagem 
imediata. A criana j  mais independente e tem melhor controle de seus impul 4 Conformista: A 
criana comea a internalizar regras e a obedecer a elas, simplesmente porque so regras. Ela 
concebe as relaes interpessoais principalmente em termos de aes do que de sentimentos e 
motivaes. 
5) Consciencioso: O adolescente torna-se introspectivo, auto- consciente e autocrtico. As relaes 
interpessoais tornam- se mais importantes e so vistas em termos de sentimentos ou traos ao invs 
de aes. As preocupaes conscientes voltam-se para obrigaes, ideais e realizaes avaliadas por 
padres internos. 
113 
6) Autnomo: As preocupaes conscientes so focalizadas em diferenciao de papis, individualidade e 
auto-realizao. Em suas relaes interpessoais, a pessoa reconhece a inevitvel dependncia mtua e a 
necessidade de autonomia de outras pessoas. Ela se torna mais tolerante para com as atitudes e conflitos 
dos outros e mais capaz de lidar com seus prprios conflitos. 
7) Integrado: Poucas pessoas atingem esse estado mais elevado, porque poucas realizam seu potencial. A 
pessoa que atinge este estado vai alm de lidar com os conflitos, reconciliando exigncias conflitivas e, 
quando necessrio, renunciando ao inacessvel, atingindo um senso de identidade integrado (p. 200). Para a 
criana, embora com maior moderao e o grau em que este fator ter efeito positivo sobre a resoluo da 
crise, depender do comportamento da me e da sensibilidade dela para atender s necessidades da criana. 
Outro psiclogo do ego, White (1960), discorda do que ele considera ser um exagero das necessidades do 
beb durante o primeiro ano de vida. Ele argumenta que as necessidades declinam por volta do 1 ano e so 
substitudas por uma preocupao em obter competncia social e motora. Por exemplo, White considera 
unilateral a nfase psicanaltica nos traumas e problemas do desmame, pois estes so contrabalanados pela 
satisfao inerente que a criana experimenta em dominar a xcara e a colher e em conseguir trazer esses 
aspectos do ambiente sob seu domnio. 
Um tema central para a Psicologia do ego  o das relaes da criana com a me  ou relaes de objeto, 
como so chamadas no vocabulrio psicanaltico. A Psicologia do ego as considera dentro do contexto total 
do desenvolvimento das funes do ego. 
H concordncia geral, entre os vrios autores dessa escola, de que o recm-nascido  um organismo quase 
totalmente indiferenciado. Nem o id nem o ego emergiram ainda do seu ncleo indiferenciado, e as distines 
entre consciente, pr-inconsciente so irrelevantes. O beb no pode ainda se distinguir de seu ambiente, 
muito menos pode discriminar entre pessoas e coisas ou entre vrias coisas de seu ambiente. Como o beb no 
pode se diferenciar da me nesse perodo, ele no pode relacionar-se a ela como um objeto ou um objeto 
de 
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amor. O beb tem apenas conscincia de suas prprias tenses (fome, dor, etc.). Freud chamou esse perodo 
de narcisismo primrio; outros o chamam de indiferenciado ou sem objeto. Dentro de um perodo 
relativamente curto, mais ou menos 12 meses, o beb passa por grandes transformaes. As funes do ego se 
desenvolvem. O beb se tornar capaz de distinguir entre o eu e o no-eu; torna-se muito mais ativo e 
competente com relao ao mundo exterior; j distingue entre pessoas, tem preferncias a respeito destas e 
ter formado j uma ligao afetiva com a me. 
Em geral o desenvolvimento das relaes objetais  visto como passando por trs estgios principais: 1) Um 
estgio indiferenciado ou sem objeto. II) Um estgio de transio. III) Um estgio de relaes objetais. 
 O estgio indiferenciado, narcisstico, ou sem objeto: Em que a criana no se distingue do ambiente, 
muito menos entre vrios elementos do ambiente. A experincia afetiva da criana inclui aqui apenas o 
desprazer das tenses e o prazer da reduo de tenso. Anna Freud (1954) enfatiza a experincia de fome e 
alimentao. 
II  Estgio de transio:  um perodo que se interpe entre 
o estgio indiferenciado e o de verdadeiras relaes do objeto. A nfase aqui ainda  (para Anna Freud, pelo 
menos), na experincia de alimentao, mas a criana aqui j se relaciona com um objeto  a comida  e no 
apenas com reduo da necessidade. A criana aqui ama o leite, o seio, a mamadeira. 
Spitz (1965) caracteriza nitidamente este perodo pela apario do sorriso social, que ele considera como uma 
resposta especfica da espcie. 
III  Estgio de relaes objetais propriamente ditas: Aqui a criana passa a se relacionar com a me e 
no mais 
j apenas com o leite, o seio ou a mamadeira. Ela sente a ausncia da me mesmo que suas necessidades 
bsicas sejam 
satisfeitas. Spitz (1959) estudou duas reaes importantes da criana por volta dos 8 meses de idade: a 
ansiedade de separao e a ansiedade em relao a estranhos, noes essas que tm gerado interessantes 
pesquisas experimentais. 
115 
Alm dos autores acima citados, na discusso sobre Psicologia do ego, h uma linha de pensamento 
um pouco diferente, que podemos chamar de escola de relaes objetais, originada da escola 
hngara de psicanlise (Ferenczi, 1924), cuja caracterstica principal  a rejeio da noo de 
narcisismo primrio e a afirmao de que h verdadeiras relaes de objetos desde o incio. Entre os 
nomes mais conhecidos desta corrente na maioria ingleses, temos: M. Klein (1959), Fairbairn 
(1952), Winnicott (1960) e Bowlby (1957, 1958, 1960, 1969). Bowlby vai mais alm ainda, 
insistindo numa atualizao da teoria psicanaltica de instintos de acordo com noes de biologia 
moderna, especialmente da etologia, e afirmando que a ligao da criana com a me baseia-se em 
vrios sistemas de comportamentos caractersticos da espcie, que so desde o incio ativados por 
classes de estmulos oriundos de outras pessoas, e que facilitam a proximidade e a interao do beb 
com a me. A oralidade e a importncia da reduo da tenso da fome  totalmente minimizada por 
Bowlby (1957, 1969) e esta parece ser a tendncia mais recente na conceitualizao das relaes 
me- beb (Ainsworth, 1969). 
Erik Erikson (1959)  um neopsicanalista que se tem preocupado com o desenvolvimento da 
identidade pessoal. Erikson aceita a perspectiva dinmica e histrica que Freud faz para anlise da 
personalidade, porm acredita que  preciso levar-se em conta o ambiente social e seu impacto 
sobre o desenvolvimento da personalidade. Assim, o foco deixa de ser a preocupao unilateral com 
as foras intrapsquicas e passa a ser uma anlise histrica da estrutura da organizao social em 
que a criana se encontra e das relaes interpsquicas entre a criana e seu meio, a estrutura e a 
dinmica deste. Por exemplo, Erikson (1959) acredita que a criana em desenvolvimento 
experimenta um senso vitalizante de si mesma e da realidade quando se d conta de que pode 
caminhar. Assim, a condio vital bsica que permite o desenvolvimento de identidade pessoal  a 
mutualidade ou interdependncia entre: a) a maturao da competncia fsica, por exemplo, 
habilidade de andar; b) o prazer funcional de exercer esse poder ou capacidade recm- descoberta e 
c) o fato de que ele exerce essa capacidade em um tempo e lugar que permitem a aprovao social 
de sua ao. 
A tese de Erikson  a de que na evoluo do homem os modos instintivos de funcionamento 
transformaram-se em 
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modos psicossociais. Assim, enquanto Freud fala em evoluo psicossexual, Erikson fala em evoluo 
psicossocial, desenvolvida at  velhice. O processo de desenvolvimento para Erikson  governado pelo 
princpio epigentico, isto , qualquer coisa que se desenvolve tem um plano bsico, do qual as vrias partes 
emergem (1963, p. 66). Cada parte tem seu tempo crtico e decisivo de origem e ascendncia especial at 
que todas as partes tenham emergido e se sintetizam num todo funcional- mente integrado. A patologia surge 
quando determinada parte no tem sua ascendncia no seu tempo crtico  que vem a prejudicar toda a 
hierarquia das vrias partes. 
O desenvolvimento da personalidade  governado pela seqncia e tempo apropriado de aparecimento dos 
vrios estgios referentes  sucesso: 
a) De energia instintiva investida em diferentes zonas do corpo. 
b) Das funes psicossociais de potencialidades para interao significante com o ambiente fsico e social que 
 paralelo ao funcionamento psicossexual das zonas corpreas. 
O fator bsico que determina qual parte do corpo  investida com energia instintiva  a maturao, mas a 
patologia (embora Erikson no o afirmasse explicitamente) parece ser oriunda de problemas na interao de 
foras maturacionais e ambientais. A resoluo adequada dos conflitos de uma fase  condio necessria 
para transio para a fase seguinte. De acordo com o princpio epigentico, foras que ainda no atingiram 
ascendncia j existem em forma rudimentar, e foras que j foram ascendentes tornam-se partes integrais, se 
bem que menos importantes do funcionamento posterior, isto no curso de desenvolvimento normal. 
Erikson (1963) complementou a viso freudiana de desenvolvimento psicossexual postulando a passagem 
universal por 8 estgios de desenvovimento. Estes estgios conformam- se aos estgios de desenvolvimento 
psicossexual de Freud, porm cada estgio corresponde a uma crise de natureza social que deve ser resolvida. 
Erikson distingue-se de Freud tambm por estender esse desenvolvimento por estgios at  senescncia: 
1) Estgio oral: Crise de confiana versus desconfiana. O primeiro estgio da maturao psicossexual por 
que passa a criana (aproximadamente o primeiro ano de vida) resulta do 
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investimento da libido na zona oral, a qual serve s funes de autopreservao (comer, beber, 
respirar). O primeiro modo de funcionamento psicossexual  o de incorporao, ou seja, pr para 
dentro. Nesta poca o crculo de relaes interpessoais do beb restringe-se quase que 
exclusivamente  me, que por sua vez quer cuidar do beb, dando-lhe o que precisa. Segundo 
Freud (1930, 1955), a significao do estgio oral para o desenvolvimento posterior da 
personalidade reside exatamente na incorporao do objeto. Incorporar  uma forma precursora 
de modos posteriores de introjeo, mecanismo pelo qual a criana se identifica com as pessoas 
significativas de seu ambiente especialmente os pais. Como Erikson supe um paralelismo entre a 
evoluo psicossexual e a psicossocial, ele acredita que o primeiro modo de funcionamento 
psicossexual  baseado na incorporao.  o desenvolvimento da habilidade de receber e aceitar. 
Assim recebendo o que lhe  dado e aprendendo a fazer com que algum faa para ele o que ele 
deseja, o beb tambm desenvolve o terreno do ego para adquirir a capacidade de doao (1963, p. 
76). 
Este estgio de funcionamento , portanto, a base de toda confiana humana. A primeira grande 
crise da vida da criana  uma crise de confiana. Com o amadurecimento psicolgico, a criana 
passa mais tempo acordada e a tendncia a incorporar, apropriar-se, observar torna-se mais forte. A 
isto acha-se o desconforto do incio do processo de dentio. Do ponto de vista psicolgico, a 
criana torna-se mais consciente de sua identidade distinta. Do ponto de vista social ocorre o 
processo de desmame, no sentido amplo, isto , a me gradualmente afasta-se da criana, retomando 
a atividade que tinha antes do fim da gravidez e do nascimento do beb: sociais, profissionais, etc. 
Todos estes fatores levam  diviso dos sentimentos da criana entre as imagens da me boa e da 
me m (na concepo de M. Klein e J. Rivire). 
A resoluo adequada da crise de confiana  o primeiro grande problema da adaptao para a 
criana e tem conseqncias importantes para o desenvolvimento da personalidade. No curso do 
desenvolvimento normal, inicia-se a formao de um senso rudimentar de identidade do ego para 
o qual so essenciais trs aspectos: um aumento da confiana na consis tnci 
da fonte externa ou doador, um sentimento crescente de sua prpria competncia para lidar com as 
necessidades instintivas de receber, seu prprio valor e a certeza de que ela no desagradar tanto  
me a ponto de esta deixar de lhe dar as coisas. O segundo fator que determina como a crise ser 
resolvida  o fato de que a me continua a dar as coisas para a criana. 
2) Estgio anal: Segundo Erikson, a importncia psicossocial deste estgio reside na crise de 
autonomia versus vergonha e dvida. A determinao da criana de exercer sua musculatura para o 
controle anal (primordialmente) e experimentar o prazer derivado de seu funcionamento constituem 
a base para o desenvolvimento de um senso de autonomia. Se essa batalha com os pais que querem 
ensinar o controle e os h bitos sociais no for resolvida satisfatoriamente, a criana desenvolve um 
senso de vergonha e dvida, ao invs de autonomia. Aqui novamente White  mais radical e no 
considera que o controle anal seja o prottipo desse conflito. A autonomia manifesta-se em vrias 
atividades sociais ou motoras de criana que envolvem teimosia, como quando a criana se recusa a 
dizer faz favor e prefere ficar sem jantar a atender a essa exigncia dos pais (White, 1960). 
3) Estgio flico: Nesta fase, em que, em termos freudianos, o foco  a rea genital e o interesse se 
centraliza no outro (enquanto que anteriormente centralizava-se na prpria pessoa durante a fase 
oral e a anal), elimina-se o conflito edipiano. Erikson coloca como central nessa fase o problema da 
iniciativa versus culpa. A criana deriva satisfao em suas novas habilidades lingsticas, 
locomotoras, sociais, imaginativas, e em suas atividades imaginativas de role-playing inicia-se a 
competir com o genitor do mesmo sexo com quem ele se identifica. Associado com a iniciativa e o 
senso de autonomia, h o medo de ter usurpado poderes que no lhe cabem de direito e um 
conseqente sentimento de culpa e medo de punio. Em geral a criana forma uma identificao 
do ego baseada numa combinao de ambos os genitores. O potencial gentico  que geralmente 
assegura a identificao correta. Para a Psicologia do ego os fatores ambientais tm um papel 
secundrio como determinante neste problema. Nesta fase se d a transformao da parte do ego no 
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superego. Segundo Erikson (1963), a resoluo do conflito entre iniciativa e culpa  a aquisio de um senso 
de responsabilidade moral. 
4) Latncia: Nesta fase em que, segundo Freud, h uma retrogresso e quiescncia dos instintos sexuais, 
Erikson salienta a importncia do desenvolvimento da industriosidade dos sentimentos de competncia ao 
dominar atividades escolares. 
5) Adolescncia: Nesta fase do interesse sexual pelos indivduos de sexo oposto bem como pela definio de 
ideologias e valores filosficos, Erikson salienta a crise de adoo de identidade. Quando esta no  
resolvida satisfatoriamente, temos a difuso de identidade  em um dos conceitos mais conhecidos no 
trabalho de Erikson, e que tem gerado muitas pesquisas empricas (Constantinople, 1969). 
6) Estgio genital: Enquanto Freud considera que a maturidade sexual e a integrao do ego so atingidas 
na adolescncia, Erikson vai alm da adolescncia. No estgio genital, que caracteriza o adulto, a crise central 
 entre o desenvolvimento de intimidade e solidariedade versus isolamento. O senso de intimidade e 
solidariedade so necessrios a uma unio conjugal estvel e a relaes sociais e de trabalho satisfatrias. 
7) AduIto maduro: A crise aqui  a de gerao versus estagnao. A propagao no adulto maduro  o 
foco principal do instinto sexual (segundo Freud). Erikson alm disso fala na importncia de criatividade do 
senso de ter criado algo no trabalho ou na famlia. 
8) Senescncia: Esperana versus desespero. O adulto que resolveu satisftoriamente todas as crises 
anteriores, inclusive o senso de ter criado e ajudado aos outros, estar equipado com a integridade pessoal 
necessria para encarar a crise final, ou seja, a de sua desintegrao e morte. Nesta fase, a falta de integrao 
do ego leva ao desespero, enquanto que uma integridade do ego leva ao senso de unio com a humanidade, 
sabedoria e esperana. 
Outra corrente psicanaltica que  bastante influente no Brasil  oriunda da Frana, com Jacques Lacan, que 
pretendeu resgatar o trabalho de Freud, fazendo o que considera uma verdadeira leitura de sua obra. Para 
Lacan, o inconsciente tem uma estrutura anloga  estrutura da linguagem. 
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